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Fibrenamics Green na Semana Europeia da Prevenção de Resíduos

O projeto Fibrenamics Green – Plataforma para o Desenvolvimento de Produtos com base em resíduos organizou duas atividades inseridas na Semana Europeia da Prevenção de Resíduos, do concelho de Guimarães.
“Fibrenamics Green: Do Resíduo ao Produto” foi o mote que originou um Workshop e uma Exposição, cujo principal objetivo consistiu em dar a conhecer o processo de valorização de diversos resíduos, assim como demonstrar as potencialidades e mais-valias deste recurso, quando incorporado na cadeia de valor das indústrias.
A Exposição Fibrenamics Green: Do Resíduo ao Produto decorreu na Associação Comercial e Industrial De Guimarães (ACIG), durante toda a Semana Europeia da Prevenção de Resíduos, de 19 a 27 de novembro 2016. Esta iniciativa contou com a visita de vários cidadãos vimaranenses e dezenas de alunos de escolas secundárias e técnico-profissionais do concelho.
A complementar a exposição decorreu também na ACIG, numa vertente mais empresarial, o Workshop Fibrenamics Green: Do Resíduo ao Produto com o objetivo de dar a conhecer o projeto e sensibilizar as indústrias para o conceito da Economia Circular, por via da valorização de resíduos a partir do design e engenharia de produto.
Este evento de networking empresarial, iniciou-se com uma sessão de apresentação do projeto Fibrenamics Green, introduzindo a temática da sustentabilidade e da recuperação e valorização de resíduos. Seguiu-se a palestra ‘Economia Circular na Competitividade das Empresas’ pelo ISQ – Instituto da Soldadura e Qualidade, onde Sílvia Vara apresentou os pilares da Economia Circular e a importância desta metodologia no desenvolvimento sustentável das indústrias a médio e longo prazo.
Numa lógica participativa e de envolvimento da comunidade, Isabel Loureiro finalizou o Workshop com a apresentação da Estrutura de Missão e as linhas gerais da candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia 2020, um projeto que visa a fazer de Guimarães um concelho mais verde e ecológico.
O plano de ação do projeto resulta da colaboração direta da Câmara Municipal de Guimarães e da Universidade do Minho que visa uma melhoria contínua de 12 áreas de referência ambiental, que contribuem para o desenvolvimento sustentável do território. Segundo Isabel Loureiro “a multidisciplinaridade, a transversalidade, a inovação através da investigação aplicada, a replicabilidade dos vários projetos piloto, são algumas das caraterísticas das ações que estão a ser implementadas em contexto territorial e que são também resultado das sinergias dos diversos centros de investigação que estão a colaborar para esta candidatura”.
O evento terminou com uma sessão de networking durante a visita das entidades presentes à exposição “Do Resíduo ao Produto”, que decorreu durante toda a Semana Europeia da Prevenção de Resíduos.
O projeto Fibrenamics Green – Plataforma para o Desenvolvimento de Produtos com base em resíduos é cofinanciado pela União Europeia através do FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, enquadrado no NORTE 2020 – Programa Operacional Regional do Norte 2014-2020 com um custo total elegível de 552.856,83€, apoio financeiro da EU de 469.928,31€ e autofinanciamento de 82.928,52€.
Read moreFibra de Ananás
O Ananas comosus, comumente conhecido como ananás ou abacaxi, é uma planta monocotiledónea da família das Bromeliáceas da subfamília Bromelioideae, encontrada em regiões subtropicais e tropicais. É uma espécie com elevado valor económico, devido à comercialização do seu fruto com o mesmo nome, e cultivo em diversos países como o Brasil, a Tailândia, as Filipinas, a Costa Rica, a China, a Índia e a Indonésia.

Um produto tradicional com reconhecimento internacional
Nos Açores, o ananás foi introduzido no seculo XIX, inicialmente como planta ornamental e cultivado para consumo doméstico. Por necessidade de um novo produto para exportação, foram iniciados os primeiros cultivos para fins de exportação. Estes cultivos obtiveram grandes resultados, tendo-se o Ananás dos Açores tornado um produto tradicional conhecido e reconhecido internacionalmente.
O tempo de produção do ananás é de cerca de 2 anos, da plantação até à colheita do fruto, sendo por isso uma plantação mais dispendiosa do que outras plantações mais comuns. Após a colheita, uma grande quantidade de resíduos orgânicos é produzida, sendo estas representadas por rizomas e folhas da planta. Estes resíduos podem e devem ser reaproveitados, de modo a conferir-lhes um novo valor no mercado, como é o caso da fibra da folha do ananás.
A fibras de ananás e as suas aplicações
As fibras da folha do ananás ou PALF (PineApple Leaf Fiber) são exemplos de materiais que se podem extrair das folhas do ananás. São consideradas fibras lignocelulósicas, sendo constituídas quimicamente por celulose (40-60%), hemicelulose (20-40%), lignina (10-25%) e outros compostos em menor quantidade, como é o caso das pectinas, solúveis em água. Esta composição, principalmente devido à celulose, lignina e hemicelulose, é responsável pelas propriedades físicas destas fibras.
A fibra de ananás é normalmente extraída por maceração com água e NaOH (hidróxido de sódio). Da biomassa foliar de cada folha extrai-se apenas 2,5-3,5% de fibra que contém uma cobertura hidrofóbica. A fibra apresenta características têxteis e é capaz de se misturar com juta, algodão, rami e com outras fibras sintéticas. Apesar das suas propriedades é necessário ter em consideração a capacidade de abastecimento em quantidades suficientes para aplicações de grandes quantidades comerciais.
Dadas as suas propriedades, estas fibras abriram alas a novas aplicações além das tradicionais nas áreas de vestuário e artesanato, passando então por aplicações em materiais compósitos, obtendo-se, desta forma, produtos de baixa densidade, baixo coeficiente de expansão térmica, resistentes à fadiga e corrosão, excelentes propriedades de resistência e propriedades de isolamento sonoro. Além disto, do ponto de vista ambiental são importantes devido a serem biodegradáveis e terem um processo de produção que recorre a pouca energia.
As fibras obtidas das folhas de ananás apresentam um grande potencial para serem usadas como reforço mecânico devido ao alto teor de celulose cristalina, sendo que, as suas propriedades mecânicas superam em grande parte outras fibras de origem vegetal. As fibras vegetais mostram propriedades relevantes como é o caso do módulo de elasticidade (um estudo mostra um módulo de elasticidade com valores entre os 37 e 86 GPa) por vezes semelhante ou superior em comparação com as fibras de vidro ou aramida. As fibras de ananás, além do alto nível de celulose cristalina em comparação com outras fibras vegetais, apresentam também uma temperatura de oxidação superior (temperaturas entre os 240 e 272⁰C), permitindo que sejam processadas com muitos polímeros. Uma vez que apenas sofrem de degradação a temperaturas superiores às anteriormente apresentadas, adicionalmente as propriedades térmicas destas fibras mostram-se também importantes, o que faz com que a aplicação em compósitos seja uma mais-valia. Os compósitos constituídos com fibras de ananás poderão ser utilizados para a criação de equipamentos desportivos, malas de bagagem, interiores de automóveis e mobiliário.
As aplicações de fibras vegetais na construção civil têm-se intensificado de forma a substituir o uso de fibras minerais e sintéticas, com o objetivo de evitar a fissuração nas matrizes à base de cimento, provocadas pelos esforços de tração ou deformações por alongamento. Nos têxteis, os tecidos produzidos a partir da fibra de ananás são considerados tecidos finos, resistentes, luxuosos e apresentam um ligeiro brilho semelhante à seda. São, geralmente utilizados para a produção de vestuário, bolsas, cachecóis e estofamento de móveis. A utilização destas fibras no vestuário é uma prática comum em países como as Filipinas sendo considerado peças de vestuário luxuosas. Se a superfície da fibra do ananás for modificada ainda cria a possibilidade para a criação de cintos de segurança, armações de airbags e cabos de correias transportadoras.
Materiais fibrosos no apoio à performance desportiva
Hoje em dia, com a evolução da indústria dos materiais fibrosos, tem surgido cada vez mais investigação à volta do material desportivo para que o mesmo possa contribuir para uma melhor prestação do atleta no desempenho da sua profissão.
Numa primeira abordagem, os materiais permitiam ao atleta obter um maior conforto durante a prática desportiva permitindo uma melhor circulação de ar entre a roupa e o corpo do atleta, evitando que o mesmo estivesse desconfortável e com a roupa suada colada ao corpo. Posteriormente, adicionaram-se novas tecnologias que permitiam que o equipamento, além da questão do conforto interior, permitisse também proteger o atleta dos fatores externos como o vento e a chuva.
Como exemplo disso temos os equipamentos dos atletas de desportos coletivos ao ar livre como é o caso do futebol.
Falando mais especificamente neste desporto, onde me especializei, existem estudos que comprovam que a cada 6 segundos ocorre uma lesão. Estas lesões em 70-80% dos casos ocorrem nos membros inferiores uma vez que os atletas são constantemente sujeitos a movimentos de explosão rápida (corrida, mudança de direção, remates, etc.) e tem um período de recuperação médio de 4 a 6 semanas.
Em virtude deste facto, começaram a ser desenvolvidos materiais que permitissem apoiar o atleta não só no conforto em campo, na recuperação de lesões, assim como na sua prevenção, permitindo proteger as estruturas musculares antes da lesão ocorrer dando maior suporte aos músculos mais propensos a estiramentos e roturas.
Do ponto de vista mental este apoio extra que o atleta recebe do equipamento de proteção permite-lhe ganhar mais confiança no desenvolvimento das suas capacidades desportivas, ajudando-o a durante o período de treino e de jogo potenciar o seu desempenho físico em campo.
Nos últimos anos têm sido desenvolvidos materiais de apoio ao desporto: caneleiras personalizadas, proteções de tornozelo para suporte do tendão de Aquiles, coxeiras para evitar fadiga nos adutores, etc. Neste último exemplo, a sua utilização protege e previne o aparecimento de lesões no adutor ajudando o atleta a conseguir jogar mais tempo, uma vez que a fadiga muscular aparecerá mais tarde do que o normal, permitindo à equipa e ao treinador tirar um maior rendimento de um determinado atleta que é fundamental à equipa.
A performance de um atleta pode ser dividida em 2 grupos: o primeiro grupo, onde inserimos o treino técnico, tático, e todo o exercício físico associado e um segundo grupo, onde inserimos o treino mental, o equipamento (vestuário, calcado e acessórios).
O primeiro grupo sobejamente conhecido e estudado está em aplicação desde os primórdios do desporto e atualmente apresente níveis de eficácia e eficiência muito próximo da perfeição.
A utilização de material inteligente tem vindo a ganhar muito destaque no mundo desportivo e irá continuar a ganhar terreno fruto da investigação que tem vindo a ser desenvolvida nesta área.
É no segundo grupo, que podemos fazer a diferença e potenciar ao máximo o desempenho de um atleta. No treino mental definimos objetivos, traçamos planos e metas a alcançar, percebemos o que está a ser feito em termos de visualização e mentalização de jogo. Ajudamos o atleta a perceber como se pode reforçar mentalmente aumentando a sua Inteligência Emocional. Um dos medos principais dos atletas está relacionado com as lesões que podem ocorrer durante o treino ou jogo, podendo muitas vezes o condicionar a não arriscar em algumas jogadas de perigo e condicionando a forma como “ataca” a bola. Com a utilização de equipamento especifico o atleta confia nos materiais utilizados e sabe que os mesmos desempenham um papel de proteção/reforço das zonas propensas a lesões, sentindo-se assim mais confortável nas jogadas de maior contacto.
O aumento da performance de um atleta irá passar não só pelo seu desenvolvimento físico de treino mas também pela forma mental como encara o seu desempenho físico e os materiais a que recorre para estar bem protegido das adversidade que uma lesão poderá provocar.
Read moreAs Fibras na Performance Desportiva
O mercado desportivo global tem crescido sustentadamente ao longo dos últimos anos, sendo que, segundo a A.T. Kearney, cresceu cerca de 6% de 2005 a 2009, cerca de 7% de 2009 a 2013 e 5% de 2013 a 2017, valendo atualmente, nas suas diversas vertentes, cerca de 350 biliões de euros. Por outro lado, verifica-se igualmente que este crescimento tem sido mais acentuado nos blocos geográficos europeu e norte americano. A prática desportiva generalizou-se, sendo que as caraterísticas dos praticantes são cada vez mais heterogéneas, com especial enfoque para o alargamento da faixa etária, incluindo praticantes muito jovens e idosos.
As fibras e as estruturas e produtos fibrosos têm assumido um papel preponderante em todo este mercado generalizado, respondendo com enorme eficácia e elevado grau de inovação aos anseios, cada vez mais exigentes, dos praticantes de diversas modalidades, colocando à sua disposição um conjunto de soluções de elevada tecnicidade, especialmente “engenheiradas” para as mais adversas situações de utilização, considerando a interação com o atleta e com o meio ambiente que o rodeia durante a prática desportiva. No desporto de alta competição, o desempenho do equipamento e do vestuário utilizados, pode, em diversas situações, representar a diferença entre ganhar ou perder, tal como ficou já demonstrado em diversas competições, especialmente em Jogos Olímpicos.
No futuro, espera-se que estes materiais possam contribuir fortemente para recolha em tempo real de parâmetros associados à medição da performance e do estado de fadiga dos atletas, através de uma nova geração de equipamentos e vestuário desportivo verdadeiramente inteligente, capaz de monitorizar, tratar a informação e atuar de acordo com as exigências específicas de cada atleta, da modalidade em causa e do meio ambiente em que é praticada. Por outro lado, espera-se que estes equipamentos e vestuário hi-tech contribua decisivamente para a prevenção e tratamento de lesões, através da utilização de estruturas fibrosas funcionalizadas com capacidade de proteger e de libertar substâncias ativas em função da necessidade.
Nesta edição da Newsletter Fibrenamics recolhemos a opinião da Maria Almeida, CEO na empresa Coach Mental & PNL, que aborda a preparação de atletas sob o ponto de vista mental como meio fundamental para a obtenção de bons resultados desportivos. Por outro lado, apresenta-se as competências do nosso parceiro CIDESD – Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano, que tem desempenhado um papel relevante na monitoração, preparação e avaliação de performance de atletas em diversas atividades desportivas. Apresenta-se ainda a International Sports Convention, que decorreu de 7 e 8 de dezembro de 2016, em Genebra, na rubrica Vigilância Tecnológica. No que respeita à Fibrenamics Azores, é explorado o potencial da fibra do ananás, e na nova rubrica Fibrenamics Green fazemos uma descrição do que foi a participação da Fibrenamics na Semana Europeia para a Prevenção de Resíduos, que decorreu em Guimarães, de 19 a 27 de novembro.
Fibre the Future!
Raul Fangueiro
Indústria 4.0 – Economia Digital

A indústria 4.0 é o paradigma de maior destaque na discussão da atualidade e do futuro económico do país. Considerada por muitos como a 4ª revolução industrial, será, indubitavelmente, um tópico repleto de oportunidades para todos e a Fibrenamics não poderia deixar de marcar presença no lançamento oficial das 60 medidas estratégicas, enquadradas nesta iniciativa, por parte do Governo.
A Plataforma Internacional Fibrenamics pretende estar na vanguarda da inovação e, como tal, marcou presença nesta sessão que decorreu no passado dia 30 de janeiro no IPLeira, com a finalidades de conhecer e debater as oportunidades da indústria 4.0 e, assim, transferir para junto dos seus parceiros este conhecimento para que juntos possam superar os desafios da 4ª revolução industrial.
A presença da Fibrenamics neste evento teve como objetivo a vigilância tecnológica nesta temática, o reconhecimento dos principais players e o networking com vista a criar oportunidades de inovação para si e para os seus parceiros.
O evento dividiu-se em 3 partes: uma abertura por parte do Secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, onde deu a conhecer as linhas gerais da indústria 4.0 e a premência do tópico para as empresas e a economia portuguesa; num segundo momento decorreram sessões paralelas de esclarecimentos nas temáticas da “Qualificação e Formação”, “Instrumentos de Financiamento”, “Infraestruturas”, “Desafios Tecnológicos” e “Comércio Eletrónico”, onde foi possível aos participantes discutirem os desafios e as oportunidades nestes temas, bem como encetar os primeiros contactos com as entidades envolvidas; o último momento contou com a apresentação das medidas do governo para a indústria 4.0, por parte da Deloitte, a assinatura do protocolo entre o Ministério da Economia e a COTEC Portugal, entidade que irá gerir a iniciativa, uma intervenção do Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral e o encerramento a cargo do Primeiro Ministro, António Costa.
Além das sessões temáticas, foi possível apreciar a materialização da “Indústria 4.0” nas suas diferentes dimensões através da exposição de projetos e atividades distribuídos por diversas salas da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG): empresas e instituições mostraram o que de melhor se faz na área da tecnologia, robótica, eletrónica e inovação digital.
A indústria 4.0 é uma oportunidade única para as empresas e as universidades portuguesas que irá promover uma transformação digital, com o desenvolvimento de tecnologias ciber-físicas que permitem mudanças disruptivas nos modelos de produção e negócio.
Segundo um estudo da UBS, Portugal está acima da média e como a 23ª economia mais preparada a adotar a Indústria 4.0 de um conjunto de 45 países analisados, sendo de destacar as suas infraestruturas, competências gerais e capacidade de inovação.
As medidas que o governo apresentou pretendem atingir três objetivos centrais:
- Acelerar a adoção das tecnologias e conceitos da Indústria 4.0 no tecido empresarial português
- Promover empresas tecnológicas portuguesas a nível internacional
- Tornar Portugal um polo atrativo para o investimento no contexto Indústria 4.0
Este programa estará divido em 6 eixos estratégicos:
- Capacitação dos recursos humanos
- Ecossistema de cooperação
- Startup i4.0
- Financiamento/apoio ao investimento
- Internacionalização
- Adaptação legal e normativa
Dentro das medidas apresentadas pelo governo, destacamos aquelas mais interessantes para os parceiros Fibrenamics:
- Investigação em i4.0 – Apoiar o desenvolvimento de programas e parcerias de investigação no âmbito da indústria 4.0, nomeadamente através da estímulo à criação de laboratórios colaborativos, envolvendo as instituições científicas e as empresas.
- Criação de um programa de Open Days i4.0 – Criação de um programa de open days em fábricas em Portugal com tecnologia i4.0 que visa partilhar e disseminar o modus operandi de fábricas tecnologicamente avançadas que operam em vários segmentos relevantes em Portugal.
- Avisos específicos i4.0 – Lançamento de avisos específicos para a Indústria 4.0, com uma mobilização de até 2,26 mil milhões de euros de incentivos, através do Portugal 2020.
A Plataforma Internacional Fibrenamics da Universidade do Minho, pela sua componente de rede cooperativa, internacionalização, investigação e desenvolvimento, design e engenharia de produto e marketing tecnológico, alinha-se, assim, de forma indelével, com esta 4ª Revolução Industrial, auxiliando os seus parceiros na criação de novos bens e serviços transacionáveis e internacionalizáveis, na implementação de uma dinâmica inovadora e no envolvimento numa rede de conhecimento técnico e científico de ponta, fatores críticos de sucesso para o mercado competitivo global.
Inovação com Resíduos
O design e engenharia como impulsionadores da inovação no desenvolvimento de produtos com base em resíduos foi o tema central do workshop ‘Fibrenamics Green: Inovação com Resíduos’, que decorreu na OLIVA Creative Factory, em São João da Madeira, a 27 de janeiro.
As alterações climáticas são um problema da responsabilidade de todos – não só da sociedade como das indústrias e universidades – como tal, é urgente encontrar-se soluções conjuntas para os problemas ambientais que atualmente o planeta está sujeito. Foi nesse sentido que surgiu o projeto Fibrenamics Green, com o propósito de apresentar uma resposta sustentável para o problema dos resíduos industriais.
A plataforma para o desenvolvimento de produtos inovadores com base em resíduos Fibrenamics Green foi apresentada por Carlos Almeida, onde abordou o impacto dos resíduos na economia nacional e global, e a urgência em se incorporar os materiais num modelo de economia circular, em que os resíduos são devolvidos ao ciclo produtivo através da reutilização, recuperação e reciclagem. Neste sentido, o design e engenharia do produto assumem um papel preponderante como ativadores do desenvolvimento de produtos inovadores com base em resíduos.
Neste evento foi também apresentado o caso de sustentabilidade empresarial da SPAL Porcelanas, uma empresa com mais de 50 anos que promove o design, a inovação e a qualidade como parte integrante da cultura empresarial. Ana Figueiredo apresentou algumas das boas-práticas sustentáveis da organização, como a utilização de recursos naturais, reciclagem de resíduos e planos de eficiência energética.
Ao longo do tempo, a SPAL Porcelanas tem vindo a comunicar e implementar a política dos 3R’s (reduzir, reutilizar, reciclar) e apostar cada vez mais no eco-design, sendo exemplo a linha Remade in Portugal, um projeto com origem em 2007 que procura incentivar à criação e desenvolvimento de produtos cuja composição integre uma percentagem mínima de 50% de matéria proveniente de processos de reciclagem.
A valorização de resíduos para gerar novos produtos, novos negócios e o reforço da credibilidade empresarial foi o tema da apresentação de Fernando Merino, da ERT Têxtil Portugal, empresa especializada na produção de têxteis técnicos.
Com especial destaque para a sustentabilidade como vantagem competitiva das organizações nas estratégias corporativas, modelos de negócio e cadeias de valor, a inovação, quer seja pelo desenvolvimento e implementação de novos produtos, serviços, processos ou modelos de negócios, assume-se como o veículo de criação de valor e retorno financeiro para as organizações.
O workshop ‘Fibrenamics Green: Inovação com Resíduos – Design e Engenharia de Produto’ contou também com a participação de Paulo Bago de Uva. O professor da Universidade de Aveiro apresentou exemplos de produtos inovadores onde foram aplicados os princípios do eco-design e da sustentabilidade. Uma demonstração de tendências das indústrias criativas no panorama nacional e internacional.
A segunda parte do workshop foi dedicada a uma sessão de Networking Tecnológico durante a visita à exposição [D]IN Design na Inovação Industrial (ERT Têxtil) e Fibrenamics Green “Do Resíduo ao Produto”. Um momento de interação, que contou com uma extensa partilha de experiências entre os elementos presentes sobre o papel da ciência e tecnologia na valorização de resíduos.
O projeto Fibrenamics Green – Plataforma para o Desenvolvimento de Produtos com base em resíduos é cofinanciado pela União Europeia através do FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, enquadrado no NORTE 2020 – Programa Operacional Regional do Norte 2014-2020 com um custo total elegível de 552.856,83€, apoio financeiro da EU de 469.928,31€ e autofinanciamento de 82.928,52€.
Read moreFibrenamics Azores
A Fibrenamics está já há um ano no Arquipélago dos Açores e ao longo dele foram já realizadas algumas iniciativas, ao mesmo tempo que foram colocados projetos em marcha. Nesta edição damos a conhecer um pouco do trabalho que está a ser desenvolvido nos Açores, com especial destaque para os projetos que vão entrar em vigor a partir de junho deste ano.

3 linhas de trabalho
A Fibrenamics está a desenvolver três linhas de trabalho nos Açores: uma que está vocacionada para os projetos âncora do centro de investigação, outra que está relacionada com a divulgação de ciência, e uma terceira focada para a transferência de conhecimento.
No que respeita aos projetos âncora, existem três grandes áreas, uma que consiste em criar competências em determinadas áreas como a produção ou valorização de resíduos florestais em materiais compósitos, outra relacionada com a extração de resíduos florestais, e uma terceira, de envergadura maior, que tem a ver com o desenvolvimento de fibras de basalto a partir de rocha vulcânica dos Açores.
“Isto está dentro do centro de investigação e do que será o seu core base e faz parte dos projetos de investigação interna do centro. Não quer dizer que com isto não sejam formados consórcios dentro deste centro, poderá acontecer e deverá acontecer isso”, refere Fernando Cunha, investigador da Fibrenamics.
Numa segunda vertente, relacionada com a divulgação de ciência dentro da ilha, têm decorrido bastantes atividades de transferência de conhecimento a partir de workshops, formações, websites e através da presença em escolas, no sentido de se criar uma cultura de inovação e de potencialização dos materiais fibrosos na própria região.
3 projetos na calha
A terceira área de atuação da Fibrenamics Azores segue a linha de desenvolvimento adotada no continente, isto é, aposta na transferência de conhecimento através de projetos de inovação. Nesta ótica, pretende-se desenvolver produtos inovadores com as empresas tendo em conta uma necessidade muito específica que existe no seio delas. Para este efeito, “nós vamos avançar já com três projetos de investigação e desenvolvimento tecnológico”, assegura o investigador da Fibrenamics:
- O primeiro consiste na valorização de resíduos provenientes da extração de pedra de basalto de forma a criar-se uma pedra sintética para a utilização em mobiliário urbano. Este projeto resulta de um consórcio entre a empresa Fácil, que comercializa este tipo de soluções, e a empresa Albano Vieira, que faz a exploração de pedra de basalto. Nesta ótica, cria-se, assim, um consórcio bastante interessante sob o ponto de vista de quem dá os requisitos de aplicação, de quem vai colocar o produto no mercado e de quem o produz. Consegue-se, desta forma, satisfazer as necessidades do mercado, sendo que a Fibrenamics irá entrar neste projeto como parceiro tecnológico “que vai unir todos estes parceiros e dar o apor técnico e científico que eles não têm para desenvolver”, garante ainda Fernando Cunha.
- O segundo projeto está também relacionado com a valorização de resíduos, mas desta vez da madeira que é utilizada nas carpintarias. Neste caso em particular a Fibrenamics irá trabalhar com um dos maiores grupos económicos da região, que é o grupo Marques, que tem várias linhas de trabalho, uma delas relacionada com a carpintaria e desenvolvimento de produtos a partir da madeira. Neste processo de desenvolvimento de produtos a partir da madeira existem bastantes desperdícios que, muitas vezes, não são utilizados de uma forma tão nobre como deveriam ser. Tendo isso em consideração, Fernando Cunha defende que “o nosso objetivo é pegar nestes resíduos que têm a sua origem na produção e no desenvolvimento de artigos de madeira, como portas e mobiliário, e, a partir daí, juntarmos polímeros e criarmos uma nova linha de compósitos reforçados com fibras de madeira para utilização seja no próprio mobiliário que eles atualmente já fazem, seja na criação de novas peças de base”. Aqui o conhecimento está patente na combinação dos resíduos com materiais poliméricos, aumentando assim a sua durabilidade.
- Por fim, o último projeto a ser colocado em ação pretende aproveitar um produto muito regional e característico dos Açores: o ananás. Durante a produção do ananás existe também um grande desperdício das folhas da planta. Neste contexto, o objetivo da Fibrenamics consiste em, a partir destas plantas, extrair fibras e utilizá-las como reforço em materiais compósitos para alimentar outras áreas de mercado. “No fundo, a partir da folha do ananás extrairmos fibras, produzirmos e desenvolvermos fibras interessantes sob o ponto de vista de as introduzirmos como reforço em materiais poliméricos” conclui Fernando Cunha. Para o desenvolvimento deste projeto, a Fibrenamics irá contar com um parceiro empresarial, a Boa Fruta.
Estes projetos têm um arranque previsto para dia 1 de junho, estando agora a ser submetidos ao programa Açores 2020.
Smart Composites
Projetos com Fibra
Smart Composites é um projeto de inovação que está a ser desenvolvido pela Plataforma Internacional Fibrenamics da Universidade do Minho, e que consiste no desenvolvimento de compósitos inteligentes.
Este é um projeto totalmente desenvolvido pela Fibrenamics, e, por isso, iremos abordá-lo em duas edições: numa primeira (fevereiro/março) onde damos a conhecer a linhas gerais do projeto e duas das tecnologias que estão a ser desenvolvidas, e numa segunda (abril/maio) onde iremos apresentar as restantes tecnologias, bem como as suas potencialidades.
A “inteligência” nos materiais compósitos
Os materiais compósitos são materiais compostos por duas ou mais fases de diferentes propriedades químicas e físicas: uma fase contínua (matriz) e uma fase dispersa (reforço), contínua ou não. A matriz é responsável por conferir a estrutura do compósito, enquanto o material de reforço é responsável por conferir algumas das suas propriedades desejadas.
Este projeto pretende criar uma nova geração de materiais compósitos e, para isso, a ideia é partir de materiais que são atualmente passivos, isto é, que desempenham apenas uma função, seja de reforço, seja de decoração, ou outro tipo de funcionalidade, e transformá-los em elementos ativos. Os materiais ativos são materiais com a capacidade de responder a um determinado estímulo externo, criando um mecanismo de ação-reação.
Para isso, Fernando Cunha, investigador da Fibrenamics, esclarece que se está a recorrer à “introdução de uma série de tecnologias que vamos embeber dentro daquilo que são os materiais compósitos de base, ou seja, os materiais vão continuar a desempenhar as mesmas funções, seja de reforço, seja a nível estético, seja outro tipo de configuração que seja utilizado, mas vamos aportar uma nova função que é a tecnologia”.
Ao longo deste projeto serão produzidas quatro tecnologias distintas. Nesta edição iremos abordar apenas duas: a sensorização e a mudança de cor.
A sensorização
No âmbito da tecnologia de sensorização pretende-se explorar a identificação de uma ação de um utilizador, através da tecnologia capacitiva e resistiva. Na prática, entre outras aplicações, esta tecnologia permite recriar botões em materiais compósitos sem necessitar de introduzir os tradicionais interruptores. Esta tecnologia é obtida através da funcionalização das fibras e através da introdução de materiais condutores.
Neste caso, pretende-se introduzir botões que não são percetíveis fisicamente para o utilizador, mas que estão de alguma forma sinalizados. “Esses botões bebem muito daquilo que são as tecnologias capacitivas: com o aproximar da mão, ele assume isso como uma ação; não o carregar, mas o simples aproximar da mão serve para criar um botão que nós chamamos de tipologia on/off, que ativa ou desativa uma determinada função” refere Fernando Cunha.
A mudança de cor
Outra linha de investigação e desenvolvimento está relacionada com a capacidade de estes materiais alterarem a sua cor em função de determinado estímulo. Seja através da temperatura, da humidade, ou da eletricidade, estes materiais têm a capacidade de alterar a sua cor de base em função de um estímulo. Por exemplo, se o material compósito estiver sujeito a exposição solar, a cor do compósito altera-se; se introduzir energia elétrica, a cor vai também alterar. “De repente, conseguem criar-se diferentes conceitos, como é o caso do conceito de dia e de noite, em que, durante o dia, tenho um objeto com determinada forma e cor e, à noite, na ausência, por exemplo, da luz, muda de cor sem que eu tenha de fazer nada para que isso aconteça” acrescenta o investigador da Fibrenamics.
Para que estes fenómenos ocorram, o segredo está em incorporar materiais cromotrópicos, que têm a capacidade de alterar a sua cor através de um estímulo externo, na matriz do compósito.
Fernando Cunha explica que, apesar de a aplicação mais óbvia estar relacionada com a área da decoração e da estética, esta tecnologia pode também ser transposta para mercados mais técnicos, como, por exemplo, no transporte de alimentos frios, em que é necessário saber se determinado alimento está a ser transportado numa caixa com uma temperatura específica, e isso é possível a partir da cor da sua caixa. “No fundo, tornamos [o uso] mais intuitivo [para] quem utiliza os próprios materiais. A imaginação será o limite para a sua aplicação”, salienta Fernando Cunha.

“Uma estratégia bem definida”
Este projeto surgiu da ideia de uma estratégia bem definida que a Fibrenamics tem delineado, que consiste em dotar os materiais de inteligência. “Esta é uma estratégia que está a ser desenvolvida pela União Europeia e que tem como foco o desenvolvimento de materiais inteligentes, cada vez mais multifuncionais”, assegura Fernando Cunha.
Nesta ótica, pretende-se que estes materiais desempenhem mais do que uma função, no sentido de não se duplicarem tecnologias, nem recursos. Esta estratégia visa também promover a sustentabilidade quer dos próprios processos, quer na utilização dos materiais. Desta forma, ao conjugar todas estas características num só produto, é possível reduzir uma sequência de produtos, evitando-se a existência de tantos produtos no final do ciclo de vida.
Bosch Innovative Car HMI
Parceiros Fibrenamics
Nos últimos anos temos assistido a evoluções significativas nas tecnologias de informação, comunicação e localização (TICLs) que têm servido de base ao aparecimento do conceito de reindustrialização nos países ocidentais, que implementaram, durante muitos anos, políticas de desindustrialização com deslocalização acentuada da produção para países com custos de mão-de-obra mais baixos.

1 — Em que é que consiste o programa Innovative Car HMI?
António J. Pontes – A parceria entre a Bosch e a Universidade do Minho abriu um novo caminho nas relações entre a indústria e as instituições de ensino. O primeiro Programa Human Machine Interface Excellence (HMIExcel) teve um grande impacto nacional e internacional e os seus resultados, aplicações e inovações estão ao nível do que melhor se faz na Europa e no Mundo. Esta parceria já permitiu desenvolver tecnologias de elevado grau de inovação com extrema relevância para o setor multimédia automóvel, incluindo o desenvolvimento de novos processos, produtos e soluções que possibilitem o reforço e a entrada em novos mercados. O Programa HMIExcel permitiu que a unidade Bosch em Braga realizasse os seus primeiros pedidos de patentes junto do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, alcançando um marco importante na história da empresa em Portugal.
Após o sucesso alcançado, a parceria de I&D+I entre a Bosch e a Universidade do Minho avançou para um novo Programa denominado Innovative Car HMI, que resulta de duas candidaturas: INNOVCAR e iFACTORY. A vertente INNOVCAR tem como principais objetivos a criação de conhecimentos e tecnologias que se traduzam em inovações mundiais nas soluções do automóvel do futuro, potenciando o caminho para a “visão zero”. A vertente iFACTORY é assente numa estratégia de inovação integrada que envolve a investigação e desenvolvimento de novos materiais e dispositivos para controlo de qualidade, industrialização, fabrico e gestão da fábrica e tem como principais objetivos a geração de avanços científicos e tecnológicos que se traduzam num conjunto de processos, sistemas e ferramentas que possam conferir um alto grau de flexibilidade e qualidade às principais operações relacionadas com as diferentes fases dos projetos de industrialização na fábrica Bosch em Braga.
2 — Como surgiu a ideia de criar este projeto?
A.J.Pontes – Tendo a inovação como um dos pilares da sua cultura empresarial, a Bosch estabeleceu uma parceria estratégica com a UMinho em julho de 2012, no sentido de assumir uma posição de liderança no seio do grupo no que diz respeito às suas capacidades de desenvolvimento e de industrialização dos sistemas e componentes mais avançados para o automóvel do futuro, a traduzir-se no reconhecimento da Bosch com Competência Internacional em HMI (Homem-Máquina Interface) dentro da divisão Car Multimedia em 2020.
Os primeiros passos nesta direção foram dados através de um investimento em I&D+I sem precedentes em Portugal (aproximadamente 19 milhões de euros) através do projeto HMIExcel, I&D crítica em torno do ciclo de desenvolvimento e produção de soluções multimédia avançadas para automóvel, concluído em junho de 2015. Os resultados obtidos são conhecidos, em termos da relevância, das soluções desenvolvidas, das patentes registadas e do emprego científico-tecnológico gerado, bem como da afirmação da fábrica Bosch em Braga no desenvolvimento de tecnologia de referência mundial.
A divisão Car Multimedia pretende continuar a situar-se na vanguarda das soluções para o automóvel do futuro e, por sua vez, a Bosch pretende cimentar a sua posição no seio do grupo, de modo a continuar a atrair projetos de industrialização das próximas gerações de soluções do automóvel do futuro, e sobretudo, a afirmar-se como fonte de criação de conhecimento e tecnologia made in Portugal.
3 — De que forma é que o trabalho desenvolvido pela Bosch HMI está relacionado com a filosofia da Indústria 4.0?
A.J.Pontes – O Grupo Bosch foi um dos fundadores da filosofia da Indústria 4.0, que teve a sua origem na Alemanha, estando na sua génese desde o primeiro momento. Nesta vertente, as atividades e projetos que estão a decorrer no âmbito do programa iFACTORY estão assentes numa estratégia de inovação integrada que envolve a investigação e desenvolvimento de novos materiais e dispositivos para controlo de qualidade, industrialização, fabrico e gestão da fábrica. Os principais objetivos incluem a geração de avanços científicos e tecnológicos que se traduzam num conjunto de processos, sistemas e ferramentas que possam conferir um alto grau de flexibilidade e qualidade às principais operações relacionadas com as diferentes fases dos projetos de industrialização, na fábrica Bosch em Braga. Acresce ainda que os trabalhos contribuirão para a conceção e desenvolvimento de materiais e dispositivos inteligentes para o controlo de qualidade, industrialização, fabrico e gestão da fábrica; ferramentas de controlo de qualidade; processos de manufatura digital e sistemas logísticos.
4 — Que projetos estão a ser desenvolvidos no âmbito deste programa?
A.J.Pontes – O programa Innovative Car HMI está assente em dois projetos de inovação – o INNOVCAR e o iFACTORY -, iniciados em julho de 2015. São dois grandes projetos que se afiguram como irrecusáveis na construção do futuro com base no conhecimento e que envolverão a contratação de mais de 260 investigadores e 54,7 milhões de euros de investimento, na busca de 30 novas soluções de conceção, sistemas e ferramentas, nomeadamente:
Atualmente estão a ser desenvolvidos 30 projetos no âmbito INNOVCAR e iFACTORY.

5 — Que resultados são esperados a longo prazo?
A.J.Pontes – A parceria UMinho/Bosch, identificada como uma parceria de interesse estratégico nacional, já permitiu desenvolver projetos relacionados com o HMI (Human Machine Interface), contribuindo para o desenvolvimento de produtos e soluções que abriram novas perspetivas à mobilidade automóvel. Esta parceria permitiu desde logo unir e colocar em interação duas equipas de dois mundos distintos (académico e industrial) que, por si só, é já um enorme desafio, mas que também se tornou na chave mestra do sucesso alcançado.
A Universidade do Minho é já reconhecida internacionalmente pela sua capacidade de inovação e produção de conhecimento e, quando aliada a uma empresa de referência internacional como é a Bosch, as expetativas nunca podem ser menos do que tentar alcançar a excelência nos trabalhos desenvolvidos, alcançando a ambiciosa inovação. A parceria já gerou um impacto socioeconómico muito importante, já permitiu a criação de dezenas de postos de trabalho altamente qualificados, assegurando o nascimento de um novo paradigma nas relações entre Universidade-Indústria. Os resultados alcançados excedem, em muitas dimensões, todas as expetativas iniciais da Parceria, desde logo pela transferência de conhecimento científico da Universidade do Minho para a Bosch Car Multimédia, que permitiu que a empresa tenha agora um novo perfil competitivo onde a criatividade e inovação assumem um papel de relevo.
O projeto inicial HMIExcel foi um dos maiores e ambiciosos projetos de investigação e desenvolvimento tecnológico realizado em Portugal, contando com um investimento de 19 milhões de euros, permitiu o registo de 12 patentes e a publicação 32 artigos científicos e o recrutamento de mais de 40 engenheiros para a Bosch e cerca de 100 bolseiros de investigação para a Universidade do Minho. Destaque para que a parceria tenha sido fundamental para que a fábrica da Bosch Car Multimédia de Braga tenha realizado o seu primeiro pedido de submissão de patente industrial em toda a história da empresa.
Após o sucesso do HMIExcel, a parceria voltou a fazer história com a assinatura do maior contrato de I&D+I alguma vez realizado em Portugal. Entre 2015 e 2018, o Programa Innovative Car HMI conta com um investimento total de 54,7 milhões de euros, prevê a geração de 22 patentes e de 72 publicações científicas, contando para isso com a colaboração de mais de 400 pessoas envolvidas, entre as quais cerca de metade são bolseiros de investigação contratados pela Universidade do Minho.
Este projeto, a longo prazo permitirá que a Universidade do Minho reforce a sua capacidade de produzir conhecimento consolidado e inovação de última geração em consonância com os objetivos da indústria, que permitirá que os seus alunos também saiam cada vez mais preparados e confiantes para os desafios que os esperam no mercado de trabalho.
Por tudo isto, estamos convictos de que esta parceria é uma parceria de sucesso e que, em conjunto, estamos a ajudar a construir o futuro da indústria e da mobilidade automóvel.
Indústria 4.0
1. Introdução
A quarta revolução industrial, apelidada de Indústria 4.0, consiste na fusão de métodos de produção com os mais recentes desenvolvimentos nas tecnologias de informação e comunicação. Este desenvolvimento é impulsionado pela tendência de digitalização da economia e da sociedade. A sustentação tecnológica deste desenvolvimento é possível graças a “sistemas ciber-físicos” inteligentes e interligados que permitirão que pessoas, máquinas, equipamentos, sistemas logísticos e produtos comuniquem e cooperem diretamente uns com os outros.
As “revoluções industriais” iniciaram-se no século XVIII, com a primeira máquina a vapor e entraram no século XX com as primeiras linhas de montagem. Já nos anos 70, a automatização da produção trouxe-nos a 3ª revolução industrial.

De facto, a nível global a indústria está a assistir a uma transformação digital que está a ser acelerada por novas tecnologias que apresentam uma evolução exponencial (e.g., robots inteligentes, drones autónomos, sensores, impressão 3D). O ritmo destas transformações reflecte a “Lei de Moore” na velocidade a que a mudança induzida por estas novas tecnologias ocorre. Desta forma, as empresas e respetivos processos industriais tem de se adaptar rapidamente a esta nova vaga, sob pena de obsolescência face ao seu contexto competitivo.
Estas tendências não têm analogia com o aumento do nível de automação dos processos de produção que tem ocorrido desde os anos 70 (3ª revolução industrial), com base na electrónica e nas tecnologias de informação. Com efeito, a utilização de uma forma universal das tecnologias de informação e comunicação por parte da indústria está a abrir a abordagens disruptivas no desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços, assim como para os sistemas de produção e cadeia logística.
2. O conceito
De facto, as fronteiras entre o mundo real e o mundo virtual estão a esbater-se de forma acelerada. O mundo virtual na área industrial, conhecido como “sistemas de produção ciber-físicos” (CPPS – cyber-physical production systems) é, no fundo, o somatório de redes online de “máquinas” que estão organizadas de modo similar às “redes sociais”. De uma forma simples, estas redes ligam tecnologias de informação com componentes mecânicos e electrónicos, que comunicam entre si através da “rede”. O RDIF é, desde 1999, uma forma primária da aplicação desta tecnologia.
Neste contexto, as “máquinas inteligentes” partilham de forma constante informação sobre níveis de stock, problemas ou falhas, bem como alterações nas ordens de produção. Processos e prazos são coordenados com o objectivo de promover a eficiência e optimizar os tempos de processamento, promovendo a utilização da capacidade instalada e a qualidade nas áreas de desenvolvimento, produção, marketing e compras.
Os CPPSs não só interligam as “máquinas” entre si, como permitem também a criação de redes inteligentes de máquinas, activos físicos, sistemas de informação e comunicação, produtos inteligentes e pessoas através de toda a cadeia de valor e de todo o ciclo de vida do produto. Sensores e sistemas de controlo permitem às máquinas estarem ligadas a fábricas, frotas, redes e seres humanos.
As redes inteligentes são a base das fábricas inteligentes, as quais são em si a génese da indústria 4.0:
Ecossistema I 4.0

3. Industria 4.0 em Portugal
Fruto da digitalização da sociedade e da indústria, o cliente final é hoje mais informado e conectado com acesso a uma oferta global. Este fenómeno gera um ambiente mais competitivo mas com oportunidades para as empresas melhor preparadas. Com efeito, ao dispor das empresas estão tecnologias inovadoras ao nível do comércio, produção e logística que transformam a relação com o cliente final, os trabalhadores e entre empresas. O recurso às tecnologias disponíveis e uma abordagem focada no cliente ditam o sucesso do tecido empresarial na adaptação aos desafios dos mercados atuais.

Estudos recentes indicam que a percentagem de empresas a lançar iniciativas de transformação digital será de 50% em 2020 e que 67% dos CEO’s centrará a sua estratégia nessa transformação. O novo ambiente industrial irá caracterizar-se pela aposta na inovação colaborativa, em meios de produção conectados e flexíveis, em cadeias logísticas integradas e canais de distribuição e serviço ao cliente digitais. Em suma, um modelo de indústria inteligente e conectado.
De acordo com o Digital Economy & Society Index 2016 da Comissão Europeia, Portugal coloca-se acima da média UE ao nível da competitividade digital. A pontuação portuguesa cresceu a um ritmo mais rápido do que o da média EU nos últimos anos, ocupando atualmente a 15º posição. De acordo com este estudo, Portugal deverá focar-se na melhoria das competências digitais da população (metade da população não tem competências digitais básicas e 28% nunca utilizaram a internet).
Um outro estudo, da UBS, indica Portugal acima da média e como a 23ª economia mais preparada a adotar a Indústria 4.0 de um conjunto de 45 países analisados, sendo de destacar as suas infraestruturas, competências gerais e capacidade de inovação.
Estas classificações remetem para um razoável grau de preparação que contrasta com a competitividade atual, na qual Portugal alcança um 35.º lugar em 40 economias analisadas de acordo com o Manufacturing Global Competitiveness Index. Ou seja, Portugal tem ainda um processo de adaptação a seguir por forma a tirar o máximo partido desta revolução industrial. A título de exemplo, Portugal tem apenas cerca de um terço de robôs por cada 10.000 empregados face a Espanha.

De uma forma geral, podemos assim concluir que Portugal tem um melhor grau de preparação do que competitividade atual, revelando que a 4ª Revolução Industrial, pela integração e aproximação de mercados e integração de cadeias de valor que proporciona, é uma clara oportunidade para esbater as típicas barreiras à competitividade do país, tais como a falta de escala de mercado interno e a localização periférica.
Esta é, com efeito, uma revolução que poderá transformar os presentes vencedores em futuros vencidos. A título exemplificativo, o estudo da Deloitte revela uma expectativa de que em 2020 os Estados Unidos da América ultrapassarão a China em competitividade industrial graças à digitalização da indústria e ao investimento nos programas de Advanced Manufacturing.
Urge então a Portugal impulsionar também a adoção acelerada deste paradigma tecnológico emergente e ambicionar um papel de maior liderança no seu desenvolvimento.