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K 2016

A indústria internacional de plásticos e borrachas tem-se destacado fortemente, muito por causa do crescimento global deste mercado no que respeita à inovação e consequente criação de valor acrescentado nos produtos desenvolvidos. A extraordinária situação económica deste setor e as perspetivas positivas para o futuro caracterizaram a maior feira mundial da indústria tendo, por isso, sido criado um excelente clima entre os 3.285 expositores da K 2016 em Düsseldorf, que decorreu de 19 a 26 de outubro

A Plataforma Internacional Fibrenamics, juntamente com dois dos seus parceiros, a Fibrauto e a Sonae, esteve presente na edição de 2016 da K com o intuito de explorar este setor e saber quais as oportunidades de inovação a ele inerentes. Nesta ótica, e segundo Carlos Mota, investigador da Fibrenamics presente neste evento, a “Fibrenamics teve a oportunidade de beber conhecimento de um dos maiores eventos mundiais sobre termoplásticos, onde os materiais, processos e produtos apresentados terão imenso interesse para os projetos de investigação e desenvolvimento, uma vez que o conhecimento que aportamos aos projetos é o reforço com fibras sintéticas ou naturais de matrizes poliméricas .”.

Materiais, sustentabilidade e eficiência dos equipamentos foram os grandes temas em destaque na edição de 2016 da K.

Com esta participação foi possível à Fibrenamics estar em contacto direto com as matérias-primas e processos mais avançados, tendo-se verificado:

  • um grande avanço das propriedades e na disponibilidade de plásticos biodegradáveis sem impacto ambiental no final do ciclo de vida e nas propriedades das matérias-primas termoplásticas;
  • uma evolução na aditivação para baixar o ponto de fusão do termoplástico, sendo por isso um grande avanço para a compatibilização com as fibras naturais e aumento da eficiência energética no processo de transformação;
  • a apresentação de inúmeros aditivos para corresponder cada vez mais e melhor às especificações do mercado;
  • uma aposta clara em equipamentos para reciclagem de plásticos;
  • um maior número de fornecedores de matéria-prima de plástico reciclado;
  • um crescimento claro em processos customizados para o processamento de pequenas séries em moldação por compressão;
  • e uma automatização completa com robôs nas linhas de processamento em grande escala.

“Sem dúvida que a participação na K2016 foi uma grande fonte de conhecimento e de importantes contactos, que se irão refletir nos projetos I&D que levamos e levaremos a cabo” conclui Carlos Mota.

Na K2016 estiveram presentes 230.00 participantes, oriundos de 160 países, sendo a grande maioria profissionais dos setores da construção, automóvel, embalagem, eletricidade/eletrónica, agricultura.

A próxima edição desta feira decorrerá de 16 a 23 de outubro de 2019 em Düsseldorf, na Alemanha.

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Innovation Open-day – Sessão de Apresentação do Fibrenamics Green

O Innovation Open-Day, evento de apresentação do projeto Fibrenamics Green – Plataforma para o Desenvolvimento de Produtos Inovadores com base em resíduos, decorreu no passado dia 2 de novembro, no Centro para a Valorização de Resíduos (CVR), na Universidade do Minho (UMinho), Azurém.

Mais de uma centena de pessoas representativas de vários setores empresariais, associações comerciais, universidades e institutos estiveram presentes nesta sessão que, para além de apresentar o Fibrenamics Green, proporcionou um networking tecnológico entre os participantes.

O Fibrenamics Green é um projeto que está a ser desenvolvido pela Plataforma Internacional Fibrenamics da UMinho em parceria com o Centro para a Valorização de Resíduos (CVR), com a missão principal da valorização de resíduos como fonte de criação de valor para o produto através da incorporação pelo design, engenharia do produto e criatividade. Este projeto pretende demonstrar diversas tecnologias e produtos inovadores com base em resíduos, desenvolvidos ao longo dos últimos anos pela Universidade. Paralelamente o Fibrenamics Green irá proporcionar, no decorrer do projeto, todas condições para se colocar os produtos desenvolvidos no mercado, dando seguimento à sua exploração económica, com o objetivo de promover, valorizar e integrar os stakeholders do processo de inovação com base em resíduos.

O Professor Raul Fangueiro evidenciou ainda que “a principal mensagem da plataforma é a ideia de criar produtos inovadores com base em resíduos, mas sobretudo de criar uma comunidade com as cadeias de valor que se operam à volta dessa ideia da inovação com base nos resíduos”. Na sua apresentação destacou também o papel do Fibrenamics Green na valorização prática dos resíduos, para que “o resíduo não seja apenas o lixo que colocamos ou que escondemos dentro de qualquer coisa mas que seja o elemento básico de um produto inovador e que seja o elemento diferenciador desse produto”.

O evento Innovation Open-Day contou também com a participação de Nelma Teixeira, da IKEA Industry, na palestra “Sustentabilidade Empresarial” onde apresentou o plano de sustentabilidade e o envolvimento com a comunidade que a organização tem vindo a desenvolver na região de Paços de Ferreira. No seu discurso Nelma Teixeira destacou a importância da responsabilidade sócio-ecológica, em que o reaproveitamento sustentável de resíduos também se insere, demonstrando alguns exemplos de boas-práticas da IKEA Industry.

Jorge Araújo, Diretor Executivo CVR, evidenciou o contributo no projeto como interface tecnológica que “tem feito investigação aplicada em determinados setores industriais e para determinados tipos de resíduos” uma vez que o CVR possui uma série de conhecimentos sobre os resíduos, como estão a ser produzidos, quantidades e localizações, fruto do trabalho que o Centro tem vindo a desenvolver com resíduos há quase 15 anos. É neste sentido que Jorge Araújo reconhece que o Fibrenamics Green vem contribuir para a constituição de “um espaço não só de apresentação de projetos, mas sim uma partilha de conhecimento e de debate de muitas ideias, centrado em inúmeros desafios e oportunidades que se colocam com especial enfoque na gestão sustentável de resíduos” através da valorização pelo design.

A Câmara Municipal de Guimarães esteve também representada na iniciativa pelas palavras do Vice-Presidente Amadeu Portilha, que enalteceram o projeto, com destaque na qualidade técnico-científica e oportunidades que a valorização dos resíduos proporciona à região.

A segunda parte do evento constou num momento de networking tecnológico entre as várias entidades, onde os presentes puderam interagir diretamente e experimentar algumas das demonstrações dos materiais, tecnologias e produtos do Fibrenamics Green.
O Innovation Open-Day marcou, assim, o arranque oficial do projeto, ficando em aberto o estabelecimento de novas parcerias com empresas de vários setores industriais.

O projeto Fibrenamics Green – Plataforma para o Desenvolvimento de Produtos com base em resíduos é cofinanciado pela União Europeia através do FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, enquadrado no NORTE 2020 – Programa Operacional Regional do Norte 2014-2020 com um custo total elegível de 552.856,83€, apoio financeiro da EU de 469.928,31€ e autofinanciamento de 82.928,52€.

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Recursos endógenos – Fibra de Conteira

Conteira, jarroca, roca, cana-roca e gengibre-selvagem são alguns nomes comuns portugueses pelos quais esta espécie é conhecida.

Em termos científicos, a conteira é uma monocotiledónea herbácea, vivaz, com 1 a 2,5 metros de altura e rizoma tuberoso. Apresenta folhas até 50×20 centímetros e flores grandes amarelas com filamentos vermelhos e fragrantes, dispostas em densas espigas terminais (até 40 cm). Os frutos são cápsulas de coloração intensa laranja que ao abrir mostram as sementes de cor carmesim.

A conteira pertence à mesma família do gengibre e em 1823 foi morfologicamente descrita no volume nono da obra “The Botanical Register” a partir da iconografia de um exemplar proveniente da Índia e cultivado num Jardim em Inglaterra.

A planta invasora que conquistou os Açores

Em 1856 esta espécie já fazia parte do conjunto de espécies existentes no Jardim de Sant’Ana, na Ilha de S. Miguel. Atualmente está já presente nas nove ilhas dos Açores.

A conteira tem a sua origem nas florestas húmidas da parte oriental dos Himalaias (Nepal, Butão, Índia), tendo-se tornado também invasora noutros arquipélagos de origem vulcânica, com solos férteis e florestas húmidas, como a Nova Zelândia, o Havai, e a Ilha Reunião para onde foi levada como planta ornamental.

A adaptação desta espécie a habitats semelhantes aos da sua região de origem, a ausência de inimigos naturais e algumas especificidades da sua biologia explicam o seu comportamento invasor. O facto de não ser praticamente atacada por herbívoros, parasitas ou outros agentes patogénicos, como fungos, faz com que as suas folhas se mantenham intactas.

“O clima ameno dos Açores propicia o seu desenvolvimento vegetativo, dando origem a densos tapetes rizomatosos mono-específicos; e, a apesar de as flores poderem ser polinizadas por borboletas, elas não necessitam de polinizadores para formar semente. Trata-se por isso de uma espécie auto-fértil que produz semente em profusão sendo as sementes posteriormente dispersas por aves, tipicamente abundantes e diversificadas em ilhas oceânicas”, refere Helena Cristina Vasconcelos, professora e investigadora do Departamento de Ciências da Física, Química e Engenharia da Universidade dos Açores, que, juntamente com os investigadores Maria João Pereira, Maria Gabriela Meirelles e Roberto Amorim, tem desenvolvido um estudo aprofundado sobre esta espécie.

Atualmente, a conteira ocupa o 40º lugar na lista das 100 piores espécies exóticas invasoras a nível mundial (100 of the World’s Worst Invasive Alien Species), e nos Açores constitui-se como uma das mais graves plantas invasoras.

A Fibra de Conteira e as suas aplicações

A fibra de conteira tem várias aplicações, cuja utilização mais óbvia é como matéria-prima para os têxteis. Por outro lado, as fibras de conteira podem também ser usadas em setores industriais, utilitários do dia-a-dia, embalagens, fabrico de papel, e materiais compósitos com muitas e variadas aplicações, incluindo o fabrico de estruturas para a construção civil e até painéis do habitáculo de automóveis.

“Um material compósito de origem renovável, biodegradável, que incorpore, como fase de reforço as fibras de conteira, como substituição do uso de fibras de vidro e de carbono, combinadas com o uso de matrizes, também elas biodegradáveis (e.g. biopolímeros), é uma alternativa possível que está presentemente a ser investigada pelo nosso grupo de investigação (Universidade dos Açores – Departamento de Ciências da Física, Química e Engenharia – Departamento de Biologia)”, conta Helena Cristina Vasconcelos.

Estes materiais avançados constituem, assim, uma alternativa ao aço, à madeira ou ao plástico e, por conseguinte, uma solução viável para componentes estruturais em áreas como engenharia, medicina, desporto, arquitetura, design, entre outras.

A professora e investigadora da Universidade dos Açores destaca ainda que “de momento, e no seguimento dos estudos preliminares que temos realizado, as fibras da conteira, extraídas do caule da planta, têm sido usadas no fabrico de compósitos, em:

Objetos utilitários do dia-a-dia, nomeadamente peças e artigos de utilização descartável (ex. pratos, copos, tigelas, talheres, etc.); cuvetes de base ao acondicionamento e empacotamento de alimentos (ex. vegetais frescos, carnes e frutas, entre outros) com a possibilidade decorar as superfícies com pinturas alusivas à preservação ambiental, cultura, marcas, regiões, turismo ou empresas, etc.

Papel ou papelão (com diferentes cores, texturas e espessuras)

Briquetes de elevado poder calorífico, para a produção de energia, em alternativa à lenha e ao carvão”

A importância da exploração da Fibra de Conteira

A utilização deste recurso natural no desenvolvimento de produtos de valor acrescentado é ainda considerada por alguns investidores como algo novo na ciência necessitando, por isso, de mais esclarecimento e aprofundamento, especialmente no que respeita aos mercados dos produtos naturais, que contam já com a concorrência de artigos similares já consolidados no mercado como são exemplo as fibras de sisal, de cânhamo, da folha do ananás, entre outras.

Ainda assim, é já internacionalmente reconhecida a importância da valorização da conteira. “A Comunidade Europeia, através dos Programas Operacionais Horizonte 2020, é objetiva nesta matéria, bem como o já anunciado compromisso da ONU – Agenda 2030. Daí a incontestabilidade dos estudos e ensaios científicos direcionados ao aproveitamento e valorização da conteira” – salienta Helena Vasconcelos.

Para a Região dos Açores, segundo Helena Cristina Vasconcelos, “consideramos [investigadores da Universidade dos Açores] ser urgente e importante, em primeira instância, projetar os Açores como uma das regiões do mundo pioneira na promoção da formação e qualificação da investigação de base científica e tecnológica na ciência dos materiais, e consequentemente na criação de riqueza”.

Em termos globais, a educação, no que concerne aos valores ambientais e o equilíbrio desejado na biodiversidade, justifica um audaz empenho da sociedade na valorização da conteira. Esta questão é “incontestável, indiscutível e de aceitação universal” assegura a professora da Universidade dos Açores.

A operacionalização do projeto da valorização da conteira potenciará conjugados esforços entre diversas entidades, congregando centros de investigação, sociedade civil e governo numa exemplar iniciativa de interligação e aproveitamento de sinergias e recursos.

“Uma colaboração essencial”

A Fibrenamics Azores promoveu recentemente, juntamente com a Universidade dos Açores, um workshop no polo de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, financiado pela DRCT, e com a colaboração do Centro de Biotecnologia dos Açores, Fundação Gaspar Frutuoso e o SINEGE, onde se debateram formas inovadoras de passar ideias ou produtos, com origem na investigação feita nas Universidades e Centros de Investigação, para o mercado.

A colaboração entre a Universidade dos Açores e a Fibrenamics Azores “tem-se revelado essencial para o crescimento do nosso projeto” salienta Helena Cristina Vasconcelos. “Sendo a Universidade do Minho atualmente detentora de um enorme know-how em fibras naturais e nas suas mais recentes e inovadoras aplicações, apraz-nos dizer que o acompanhamento e o aconselhamento que nos têm prestado, não só como parceiros de projetos, mas também como dinamizadores do conceito “da natureza para o mercado”, é para nós um enorme privilégio e também uma oportunidade, enquanto investigadores e docentes da Universidade dos Açores, de colaborar e partilhar interesses comuns com outros cientistas de renome internacional e com laboratórios de investigação do top mundial”, acrescenta ainda.

A participação na Comissão Científica do ICNF 2015 – International Conference on Natural Fibers, realizada em Ponta Delgada, abriu a porta aos Açores para o mundo das fibras e, no seguimento desse evento, muitas outras iniciativas foram surgindo.
No âmbito desta parceria com a Fibrenamics, “o nosso grupo estará certamente representado na ICNF2017, cujo tema é ‘Materiais Avançados para um mundo mais verde’, com novos desenvolvimentos acerca do potencial das fibras da conteira na construção de um mundo mais verde para as futuras gerações”, remata Helena Cristina Vasconcelos.

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Fibrenamics Green – Sustentabilidade e valorização de resíduos pela inovação

Fibrenamics Green

A Plataforma Internacional Fibrenamics, em parceria com o Centro para a Valorização de Resíduos (CVR) da Universidade do Minho, está a desenvolver um novo projeto – Fibrenamics Green – que visa a inovação, incorporação e valorização de resíduos provenientes de várias indústrias, dando continuidade ao trabalho com base em fibras, já amplamente desenvolvido pela plataforma Fibrenamics, através da produção de modelos de transferência de conhecimento científico e tecnológico para o tecido empresarial.

Responsabilidade sócio-ambiental nas organizações

A preservação do meio ambiente é um tema cada vez mais relevante na sociedade. Apesar das empresas se preocuparem com as questões relacionadas com a responsabilidade sócio-ambiental ainda há um longo caminho a percorrer no que que concerne proteção ecológica e a diminuição do desperdício. A maior parte das indústrias gera resíduos que não estão devidamente aproveitados ou que não estão tão potencializados como poderiam. A falta de sensibilização e o desconhecimento sobre o que existe no mercado tem sido um fator castrador da evolução da sociedade na área da sustentabilidade.

O Fibrenamics Green surge da necessidade de se apresentar soluções sustentáveis aos problemas da poluição causada pelos resíduos no ecossistema, através do desenvolvimento de tecnologias e produtos inovadores com base em resíduos provenientes das indústrias, proporcionando uma simbiose perfeita entre o conhecimento científico e técnico da Universidade do Minho com o know-how das empresas, correspondendo às necessidades específicas do mercado.

A base do princípio estrutural desta plataforma permite que todos os interessados na inovação, quer sejam empresas, centros de investigação, centros tecnológicos, universidades, ou outros, possam encontrar no Fibrenamics Green uma ferramenta que lhes possibilite, por um lado, a demonstração das suas tecnologias inovadoras, como por outro, encontrar novas soluções para incorporar nas suas fileiras de produção e nos seus produtos.

Valorização de resíduos por incorporação de conhecimento e tecnologia

O Fibrenamics Green surge com o objetivo de promover a transferência de conhecimento interdisciplinar e multissetorial, no sentido de potenciar a geração de inovação. A plataforma servirá como intermediário para aplicação do conhecimento envolvente das tecnologias desenvolvidas ao longo dos últimos anos para a transformação de resíduos em diversos setores industriais, assim como para o desenvolvimento de produtos de valor acrescentado para o mercado.

O acompanhamento transversal da conceção do produto é, sem dúvida, o grande ponto-chave deste projeto, uma vez que o Fibrenamics Green será responsável por todo o processo de criação do produto inovador, desde o design ao estudo de mercado, ensaios e avaliações de desempenho, otimização das tecnologias e criação de protótipos, assim como implementação de estratégias de marketing e comunicação. No âmbito do projeto pretende-se converter, através do design e engenharia do produto, seis protótipos customizados.

Aliança entre investigação e indústria

O envolvimento e interação constante entre todas as entidades é um dos fatores diferenciadores do Fibrenamics Green. O projeto visa agregar numa única plataforma todos os agentes envolvidos nas questões relacionadas com a valorização dos resíduos pela inovação e a sua recolocação sustentável no mercado.

Ainda no âmbito deste projeto serão levadas a cabo diversas iniciativas e atividades de integração e demonstração, que possibilitem a partilha e geração de conhecimento, que servirá de base no estabelecimento de novos projetos de valorização de resíduos pela incorporação da ciência e tecnologias, permutando o envolvimento e as sinergias universidade-empresa.

Para a criação das condições que permitam o desenvolvimento de produtos inovadores com base em resíduos, por via da transferência de conhecimento do CVR da Universidade do Minho para as empresas, de uma forma continuada e sustentada a longo prazo, o projeto Fibrenamics Green conta com o cofinanciamento pela União Europeia através do FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, enquadrado no NORTE 2020 – Programa Operacional Regional do Norte 2014-2020 com um custo total elegível de 552.856,83€, apoio financeiro da EU de 469.928,31€ e autofinanciamento de 82.928,52€.

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Sonae Indústria de Revestimentos

A Sonae – Indústria de Revestimentos S.A. (SIR) é uma sociedade, com sede na Maia, cujo capital social é detido em 100% pela Sonae Indústria, SGPS, S.A. A sua génese remonta ao ano de 1959, altura em que foi fundada a empresa Sonae – Sociedade Nacional de Estratificados, SARL, com vista à produção de painéis decorativos.

A Atividade

A SIR dedica a sua atividade à produção e comercialização de termolaminados e compactos decorativos de alta pressão (HPL). Este produto é desenvolvido a partir da utilização de um conjunto de folhas de papel impregnadas com resinas termoendurecíveis e sujeitas a um processo de prensagem a altas pressão e temperatura elevadas. Tal como explica Cláudia Costa, gestora de Investigação e Desenvolvimento da SIR, “na base do HPL estão folhas de papel kraft (são estas folhas que mais condicionam a espessura e características técnicas do HPL), sobre as quais é aplicada uma ou mais folhas de papel decorativo”. Este tipo de artigo tem um elevado valor acrescentado, podendo ser aplicado em superfícies horizontais ou verticais que necessitem de elevadas resistências físico-mecânicas e químicas.

A Política de Sustentabilidade

“Identificar com clareza e satisfazer integralmente as necessidades e expectativas dos clientes em relação aos produtos e serviços” é o grande compromisso da SIR, segundo Cláudia Costa. Todavia, para que a satisfação das necessidades dos seus clientes seja plena, é necessário criar boas relações com todos os stakeholders, motivar todos os colaboradores e, acima de tudo, proteger o meio ambiente e implementar práticas sustentáveis.

Nesse sentido, a SIR tem como objetivos desenvolver uma cultura de qualidade, ambiente, segurança e saúde no trabalho tanto na SIR como na sua envolvente, fomentando o esclarecimento e formação dos colaboradores, para que estes efetuem as atividades de forma responsável; estabelecer uma relação de partilha e confiança com os seus fornecedores, assim como aplicar as melhores técnicas disponíveis para minimizar os impactes ambientais associados aos seus processos e prevenir a poluição. A SIR trabalha também no sentido de reduzir e controlar os riscos, com o objetivo de prevenir incidentes e doenças profissionais e, para além disso, cumpre com os Princípios e Direitos Fundamentais constantes na Declaração da Organização Internacional do Trabalho.

Ainda neste âmbito, a SIR cumpre com todos os requisitos legais, normativos, desenvolvendo ainda atividades de comunicação como forma de melhorar a capacidade de criar valor e implementar e manter os requisitos da Cadeia de Responsabilidade de acordo com as normas do PEFC e do FSC aplicáveis à organização, tendo em vista a utilização sustentável das matérias-primas de origem florestal. “A certificação da Cadeia de responsabilidade é essencial para a SIR, que procura aceder a mercados ambiental e socialmente responsáveis, assim como demonstrar a observância das políticas públicas ou privadas de compra que especificam como requisito o fornecimento de materiais ambientalmente responsáveis. Esta certificação permite também rotular os produtos para que os consumidores possam identificar e eleger aqueles que apresentam um modelo de gestão florestal responsável. Esta certificação dá confiança aos consumidores de que os produtos florestais que consomem provêm de florestas que foram geridas de forma responsável, levando a cabo práticas ambientalmente respeitáveis”, assegura Cláudia Costa.

“Uma empresa só é verdadeiramente sustentável se se reger por princípios de sustentabilidade nos vetores económico, social e ambiental”.

A SIR mostra-se convicta em acreditar que, num contexto de globalização cada vez mais real em que se concorre com players de outras geografias e em que as restrições regulamentares e legais não são tão prevalentes, os consumidores tendem a premiar os fabricantes que incorporam os princípios e valores que a SIR defende.

Cláudia Costa acredita que “uma empresa só é verdadeiramente sustentável se se reger por princípios de sustentabilidade nos vetores económico, social e ambiental”. Neste contexto, a Empresa só será sustentável se for, desde logo, económica e financeiramente viável. Para tal, a SIR implementa as melhores práticas operacionais e procura, de forma criteriosa, uma racionalização e otimização da sua estrutura de custos, permitindo acrescentar valor aos acionistas e aos seus clientes. Por outro lado, a SIR pauta-se também por uma atuação socialmente responsável, valorizando todos os seus colaboradores mas também outros stakeholders internos ou externos, como por exemplo, os seus fornecedores, clientes, e a comunidade em que se insere. Por fim, e tal como Cláudia Costa salienta, “o estrito cumprimento da legislação ambiental em vigor e a implementação das melhores práticas ambientais aplicáveis são peças-chave para garantir a nossa sustentabilidade a médio e longo prazo”.

Parcerias estratégicas

A SIR tem um departamento dedicado à investigação, desenvolvimento e conceção de novos produtos, ao suporte à resolução de problemas e à implementação de ações de melhoria do desempenho dos produtos existentes e dos processos industriais, sustentada em princípios de inovação, eficiência industrial, diferenciação, responsabilidade ambiental e competitividade. Neste sentido, e de forma a desenvolver uma base sólida e sustentada em termos científicos e tecnológicos, procurando, a cada dia, uma maior abertura com o exterior, a SIR tem criado parcerias com diversos intervenientes no processo de conceção e desenvolvimento de produto e ainda com entidades credenciadas em áreas de investigação fundamental e aplicada de particular interesse para o negócio.

“Pretende-se com estas parcerias um fortalecimento das opções estratégicas da empresa tendo em vista o seu posicionamento em segmentos de mercados inovadores e de maior atratividade que permitam reforçar a sua capacidade de incorporação de novas soluções nos seus produtos. Como tal, a SIR pretende responder a duas problemáticas distintas: extensão do negócio por melhoria da oferta atual, e expansão do negócio por aquisição de novos mercados e clientes”, salienta Cláudia Costa.

A parceria com a plataforma Fibrenamics da Universidade do Minho surgiu no sentido de se unir esforços, uma vez que ambas as entidades têm uma estratégia comum de inovação aberta, e uma complementaridade interessante: “a SIR tem todas as condições de garantir a industrialização e comercialização de algumas inovações nas quais a Fibrenamics tem trabalhado nos tempos mais recentes” assegura ainda Cláudia Costa.

A Fibrenamics e a sua visão vanguardista

O estudo e o desenvolvimento de materiais compósitos poliméricos inerentes à atividade da Fibrenamics permite-lhe ser um grande aliado da SIR, complementando sobremaneira o conhecimento de décadas existente na SIR, acrescentando, ao conhecimento técnico um conhecimento científico mais fundamental, com uma visão vanguardista do estado da arte na área dos compósitos e polímeros em mercados-alvo distintos daqueles onde a SIR tem vindo a desenvolver o seu negócio.

Neste contexto, a SIR acabou de submeter um projeto individual no âmbito do Portugal 2020, “que conta com o apoio da Universidade do Minho para desenvolver uma variante dos seus compactos que poderá ser direcionada para setores de atividade distintos dos atuais, permitindo assim expandir o nosso horizonte competitivo”, refere Cláudia Costa. A estratégia apresentada pela SIR para este projeto visa, assim, satisfazer as necessidades externas e internas da organização.

A SIR definiu a sua estratégia interna considerando que para fazer face às necessidades do mercado teria de desenvolver produtos alternativos que, por um lado, não alterem o seu processo produtivo e o seu modelo de negócio, e, por outro lado, para desenvolver produtos com um elevado valor acrescentado. Desta forma, segundo Cláudia Costa, “a SIR espera alargar os mercados-alvo e criar um efeito arrastador para outras áreas de negócio”.

Desta parceria, e como objetivo a curto prazo, caso o projeto PT2020 seja aprovado, pretende-se o desenvolvimento e futura comercialização de uma variante dos compactos da SIR que poderão ser direcionados para setores de atividade distintos dos atuais, permitindo assim expandir o horizonte competitivo. A longo prazo, Cláudia Costa assume que “a SIR espera poder continuar a contar com a colaboração da plataforma Fibrenamics da Universidade do Minho para novos desenvolvimentos dos nossos produtos, devido à constante necessidade de melhoria e inovação da empresa”.

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Economia Circular | Inovar é a chave

O conceito de sustentabilidade ambiental tornou-se um conceito tangível há cerca de 40 anos. É atualmente encarado como o meio através do qual podemos quebrar a relação entre o crescimento de uma atividade económica e os impactos negativos que produz.

A evolução do conceito, quer do ponto de vista das políticas criadas a nível mundial, quer a nível empresarial fez amadurecer outros conceitos que gravitam em seu redor e que compõem as ramificações da árvore da sustentabilidade ambiental, conceitos que têm por princípios combater a escassez dos recursos e harmonizar o crescimento económico com a preservação da natureza:

Ecoeficiência, ecodesign, construção sustentável, eficiência hídrica, eficiência energética, energias renováveis, reciclagem, reutilização, mobilidade sustentável, entre outros…

Adotando a sustentabilidade como um fator de competitividade, muitas empresas deram passos para a criação de um futuro ambientalmente mais sustentável, quer por via do cumprimento da legislação que surgiu nesta área, que por aplicações e práticas voluntárias no âmbito das várias ramificações da árvore da sustentabilidade.

Apesar deste esforço e da sustentabilidade “andar nas bocas do mundo” há quase quatro décadas, teremos feito o suficiente? Estaremos a agir à velocidade desejável?

A questão é que 40 anos depois, a economia mundial continua a ser construída com base num modelo linear de negócios (extrair, transformar, descartar), que agora se anuncia comprovadamente ameaçado devido à disponibilidade limitada de recursos naturais. Alguns autores afirmam mesmo que se continuarmos a usar os recursos à taxa de crescimento atual, necessitaremos de mais três planetas até 2050 – o mesmo tempo desde que surgiu o conceito de sustentabilidade ambiental.

Em concordância com esta constatação assistimos atualmente a uma mudança de paradigma.

Desta mudança emerge um conceito que abraça todos os ramos da árvore da sustentabilidade e que faz crescer outras ramificações. É considerado o caminho para o desenvolvimento sustentável. Um novo e enorme desafio, cheio de oportunidades: A Economia Circular.

Considerada por vários autores como primeiro novo e verdadeiro paradigma económico desde o início do capitalismo no século XIX, a ideia que está na base da Economia Circular é simples:

“Manter o valor dos produtos, componentes e materiais no mais alto nível possível em todos os momentos do ciclo de vida, eliminar a própria ideia de desperdício, fazer isto usando menos recursos e de forma mais eficiente e produtiva.”

Para completar esta definição surge “the ReSOLVE framework”. O ReSOLVE, tendo por base os princípios da circularidade (preservar e aumentar o capital natural, otimizar a produção de recursos e fomentar a eficácia do sistema), cria seis alavancas para a Economia Circular: ReGenerate, Share, Optimize, Loop, Virtualise, Exchange.

Repensar a forma como se organiza a produção e o consumo, as novas tecnologias e os modelos de negócios necessários, apresenta-se como uma das maiores oportunidades de negócio e o maior desafio da próxima década. Para fazer faze a este desafio, o ReSOLVE revela-se uma ferramenta de grande utilidade para as empresas pois permite compreender quais as ações a tomar, bem como calcular os respetivos custos e benefícios.

A Economia Circular abre assim um grande espaço para a inovação com natureza disruptiva em toda a cadeia de valor e oferece um sem número de oportunidades. No modelo de economia Circular, inovar é a chave.

Relembrando a Lei de Difusão da Inovação que identifica os perfis de adoção de diferentes processos de inovação e que estes obedecem a uma curva:

A Lei de Difusão da Inovação explica como uma nova ideia ou tecnologia é recebida pelo mercado e apresenta a difusão da inovação de uma forma bastante simplificada.

A curva divide-se em vários grupos:
– Innovators
– Early Adopters
– Early Majority
– Late Majority
– Laggards

O ponto de inflexão da curva representa o ponto antes do qual qualquer ideia ou tecnologia é aceite pela massa crítica do mercado e localiza-se confortavelmente entre os primeiros adotantes e a maioria inicial. Até que a ideia ou tecnologia não atinja o ponto de inflexão, não conseguiremos a entrada na grande massa do mercado.

Khor Alex, inspirado por Simon Sinek e por Seth Godin, apresenta uma ideia interessante ao afirmar que existem 3 tipos de grupos no mundo:
– The ones who play the game
– The ones who watch the game
– The ones who have no idea that the game is being played

Transpondo esta afirmação para os vários grupos da curva da Lei de Difusão da Inovação:
– 2,5% Innovators – The ones who play the game
– 13,5% Early adopters – The ones who play the game
– 34% Early Majority – The ones who watch the game
– 34% Late Majority – The ones who watch the game
– 15% Laggards – The ones who have no idea that the game is being played

O modelo de Economia Circular está ainda no seu primeiro estágio (2,5% Innovators). O setor público, grandes, pequenas, médias e microempresas por todo o mundo começam a adotar práticas que promovem este modelo, outros tantos players desenvolvem processos de investigação para criar soluções inovadoras e as instituições decisoras a nível mundial e em particular as europeias estabelecem novas regras (European Commission’s 2015 circular economy package).

Conhecer os mercados que começam a emergir em torno do modelo de Economia Circular, como esses mercados receberão o produto ou serviço, em que segmento da curva de difusão da inovação nos encontramos e ser capazes de mudar a estratégia de atuação em função dessa posição, revelam-se atitudes que irão conferir uma grande vantagem competitiva às empresas de todos os setores de atividade.

Entidades como o ISQ e a Universidade do Minho, através da sua plataforma Fibrenamics e o Centro para a Valorização de Resíduos, são instituições que têm vindo a promover a inovação no domínio da Economia Circular, através de inúmeros projetos desenvolvidos e implementados e das suas atividades de investigação totalmente focadas no setor empresarial.

Posicionam-se no grupo 2,5% Innovators, à semelhança das empresas a que dão suporte, e assumem-se como instituições que pretendem acelerar e apoiar as empresas na transição para uma Economia Circular.

E a sua empresa, em que estágio se encontra?

Sílvia Vara
Gestor de projeto PO SEUR| ISQ2020

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Sustentabilidade

Numa altura de enorme instabilidade política, económica e social no panorama internacional, em que parece ser muito difícil obter consensos sobre temáticas de extrema importância para todos nós, independentemente da raça, cor ou religião, as questões associadas à sustentabilidade do nosso planeta assumem cada vez mais “caráter de urgência”, como forma de garantir condições de vida dignas para todos, agora e no futuro. A tomada de consciência para esta temática, parece tardar a ser incorporada de forma genuína e eficaz no nosso quotidiano, quer seja através dos decisores das nações, quer do cidadão comum, que pela sua ação desempenha um papel absolutamente fundamental em todo o processo.

Esta é, pois, uma edição especial da Newsletter Fibrenamics! Não só pela temática, que por si só justifica a publicação deste e de muitos outros documentos, mas porque, na sequência disso mesmo, aborda, pela primeira vez, uma nova face da plataforma, a Fibrenamics Green. É uma edição em que a temática sustentabilidade é o mote para mais um momento de partilha, mostrando diversos casos em que a consciencialização para a salvaguarda dos direitos das gerações futuras é o denominador comum. A Fibrenamics Green é, neste contexto, um contributo para que todo o conhecimento gerado ao longo dos últimos anos pela Plataforma Fibrenamics, quer técnico-científico quer disseminação, seja agora posto ao serviço do desenvolvimento de produtos mais amigos do ambiente, salvaguardando recursos naturais escassos e permitindo que resíduos, habitualmente descartados, possam assumir um papel preponderante no design de produtos inovadores. É apenas isso…um contributo para a sustentabilidade do planeta!

Ao longo desta edição, mostram-se as políticas de sustentabilidade (ambiental, social e económica) da Sonae_Indústria de Revestimentos (SIR) e a forma como tem interagido com a Plataforma Internacional Fibrenamics. Por outro lado, o parceiro ISQ – Instituto de Soldadura e Qualidade apresenta uma reflexão sobre a importância da sustentabilidade, dando a conhecer, ao mesmo tempo, algumas das políticas por si implementadas. Na rubrica Vigilância Tecnológica resume-se a visita à K2016, em Dusseldorf, conjuntamente com os parceiros Fibrauto e Sonae. No que respeita à Fibrenamics Azores, dá-se conhecer as potencialidades da fibra de conteira, sendo que, por fim, a Newsletter apresenta uma rubrica inteiramente dedicada ao projeto Fibrenamics Green, onde consta a reportagem acerca do Innovation Open-day de apresentação do projeto.

Fibre the Future!
Raul Fangueiro

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International Sports Convention

A International Sports Convention (ISC) 2016 decorreu nos passados dias 7 e 8 de dezembro em Genebra, Suíça. “Bringing the world of sport together” foi o lema deste grande evento que pretendeu reunir num só local especialistas das mais diversas áreas relacionadas com o desporto.

Este evento contou com 18 conferências relacionadas com o desporto e com um grande salão de exposição com 5,000 m2.

A International Sports Convention diferencia-se de outros eventos da área pelo facto de não ser apenas o local onde se encontram compradores no mercado de atuação, mas também uma plataforma onde se tem a oportunidade de contactar com expositores, delegados de conferência e visitantes de exposições de todo o setor desportivo, proporcionando ainda mais negócios e oportunidades de networking a todos os participantes.

No que respeita às conferências, foram abordados temas que passaram desde os média digital, ao desenvolvimento e performance desportiva, estádios, patrocínios até aos eventos desportivos.

A International Sports Convention contou com a presença de cerca de 2,000 delegados e participantes de mais de 80 países e o envolvimento de diversos Clubes de Futebol, Rugby, Basquete e Hóquei no Gelo. De destacar a participação de entidades como a FIFA e a UEFA.

A próxima edição deste evento será em 2018 e terá também lugar em Genebra.

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Electrosocks

O projeto Electrosocks foi desenvolvido pela Plataforma Internacional Fibrenamics, em parceria com a Barcelcom Têxteis S.A., e consistiu no desenvolvimento de uma linha de peúgas técnicas e outros dispositivos para a área desportiva, tendo como foco três grandes aspetos: conforto durante a atividade física; prevenção de lesões; e tratamento de lesões através da electroestimulação.

Lesões desportivas, o pesadelo dos atletas de alta competição

As lesões desportivas são um drama que acompanha constantemente treinadores e atletas, assombrando a prática desportiva e provocando custos a diferentes níveis. Tendo em consideração os tipos de lesões mais frequentes em atletas de alta competição, assim como o estudo da anatomia e fisiologia do pé, a Fibrenamics e a Barcelcom acharam pertinente desenvolver uma tecnologia que permitisse o conforto, prevenção e recuperação perante uma situação de lesão.

O projeto Electrosocks teve como objetivo a criação de um portefólio de protótipos personalizados e multifuncionais para a área da saúde e bem-estar, em particular para atletas de alta competição. Este desenvolvimento foi dividido em três conceitos: Conforto, Forças direcionadas e Electroestimulação, que foram posteriormente trabalhados individualmente, mas, após a sua otimização, foram cruzados entre si, dando-lhes multifuncionalidade. Esta característica é importante para prevenir e/ou auxiliar a recuperação de lesões no âmbito desportivo, tais como entorses, contraturas musculares, tendinites do calcanhar de Aquiles, estiramentos, entre outras. Os protótipos desenvolvidos combinaram, de forma estruturada, materiais e estruturas funcionais, permitindo compressão e electroestimulação em zonas bem definidas em função da zona afetada (tornozelo, planta do pé, perna), promovendo o retorno das correntes sanguíneas e, simultaneamente, incrementando a estimulação muscular como forma de acelerar a recuperação. Para além das funcionalidades ligadas ao conforto, como termorregulação e gestão de humidade, os protótipos incluem electroestimulação em pontos definidos, como forma de melhorar a circulação sanguínea de maneira a evitar o aparecimento de edemas e de dor e como forma de prevenção de todos os sintomas indicados associados às patologias em questão. Neste âmbito, foi desenvolvido um protótipo para cada área do corpo mencionada.

Segundo Gaspar Sousa Coutinho, CEO da Barcelcom, “dada a nossa experiência no mercado da recuperação de pequenas lesões, sobretudo em atletas de alta competição onde já tínhamos uma tecnologia de elevado potencial, a recuperação muscular através da Electroestimulação “encaixou-se” perfeitamente como tecnologia complementar”. A Barcelcom havia já desenvolvido uma tecnologia BB-Vein com base na libertação gradual de um anti-inflamatório que trata as inflamações resultantes de pequenas lesões, como por exemplo entorses e/ou inflamações nos ligamentos, com a qual têm obtido excelentes resultados. A electroestimulação está indicada sobretudo para a rápida recuperação muscular após estados prolongados de inatividade física, por exemplo após fraturas. “Assim ambas as tecnologias apresentam uma complementaridade muito interessante e com elevado potencial”, salienta Gaspar Sousa Coutinho.

Uma resposta às necessidades dos desportistas

Os objetivos deste projeto incluíram o desenvolvimento de três grupos de protótipos que podem ser combinados entre si, de modo a dar resposta às necessidades desportivas de diversas modalidades, tendo em conta as seguintes funcionalidades:
• Gestão de humidade por materiais e estruturas funcionais
• Termorregulação por materiais e estruturas funcionais
• Ergonomia por controlo de forças localizadas e multidirecionais
• Controlo de movimento do membro inferior por controlo de forças localizadas e multidirecionais
• Relaxamento muscular por electroestimulação
• Ativação muscular por electroestimulação

Nesse sentido, foram criados um par de peúgas com um “design” adaptado à prática desportiva, tendo em conta o conforto termofisiológico e o conforto sensorial de “toque”, ergonómico e psico-estético; dois pares de peúgas com forças e compressão multidirecional, para correção ou restrição do movimento para prevenir lesões ou auxiliar o tratamento de lesões do tornozelo e da fáscia plantar; e dois pares de peúgas com elétrodos incorporados para tratar lesões do tornozelo e da fáscia plantar com electroestimulação.

Neste projeto, e tal como refere Juliana Cruz, investigadora da Fibrenamics, “a Fibrenamics teve um papel determinante no desenvolvimento e validação de tecnologias com caráter técnico-científico bastante complexo, tais como a introdução da electroestimulação em substratos fibrosos flexíveis e a criação de forças e compressão multidirecional em peúgas, para posteriormente transferir esse conhecimento para o meio empresarial através do desenvolvimento do scale up industrial dos protótipos”.

Um produto com enorme potencial

A Fibrenamics e a Barcelcom são unânimes: o balanço deste projeto é positivo!
Tanto ao nível técnico-científico, estético e funcional do produto, como no que respeita ao feedback do fisioterapeuta Dr. Nelson Azevedo e dos seus utentes, que experienciaram os produtos, o Electrosocks foi muito bem aceite.

A par disso, Juliana Cruz refere ainda que com este projeto “têm surgido vários contactos empresariais e de técnicos de saúde a solicitarem demonstrações e esclarecimentos da peúga para a electroestimulação”, o que mostra um enorme potencial deste produto.

Todavia, as mais-valias não são apenas de âmbito tecnológico. Para Gaspar Sousa Coutinho, este tipo de projetos causa também outros impactos: “é preciso realçar a importância deste tipo de ações, e as relações próximas com a Universidade, no desenvolvimento de uma saudável cultura empresarial para o desenvolvimento e para a motivação dos nossos colaboradores. A inovação não é fácil, exige muito esforço e perseverança, saber aceitar o falhanço e começar de novo e, nesse sentido, é fundamental sentir-se o enorme estímulo resultante da perceção da importância desse trabalho, sentir que vale a pena o esforço”.

Uma parceria com provas já dadas

A Fibrenamics e a Barcelcom haviam já trabalhado anteriormente noutros projetos. A parceria foi iniciada com o projeto PRADEX, uma manga terapêutica para tratamento de linfedemas, onde se obtiveram resultados muitos interessantes tanto por parte dos utilizadores como dos clínicos. Este projeto fez com que “analisássemos em conjunto outras possibilidades de colaboração de desenvolvimento de outros produtos na área da compressão, que pudessem também ser interessantes e necessários no atual mercado”, conta a investigadora da Fibrenamics.

Gaspar Sousa Coutinho realça este trabalho colaborativo referindo que ele incide em duas vertentes fundamentais para a dinâmica inovadora da Barcelcom: “a primeira diz respeito ao apoio tecnológico, de aconselhamento e também nos ensaios laboratoriais, durante o desenrolar dos nossos projetos inovadores, alguns dos quais de grande responsabilidade dada sua dimensão e nível de conhecimento exigido; a segunda pela regular troca de informações relativas ao estado de arte na nossa área de conhecimento e, assim, na deteção de novas oportunidades de desenvolvimento. Foi nesta última vertente desse apoio da Fibrenamics, quiçá a mais importante, que surgiu a ideia de desenvolver o projeto da electroestimulação”.

O CEO desta empresa inovadora, com provas já dadas internacionalmente, assume ainda que a ligação à Universidade do Minho e, em particular, à Fibrenamics é uma condição decisiva para o sucesso empresarial como empresa fortemente inovadora. “Embora estejamos a lidar com mercados de difícil penetração e de retorno demorado, os resultados são francamente positivos, não só nos aspetos tecnológicos, mas também na capacidade de diferenciação em relação a concorrentes ‘pesados’ que muitas vezes não percebem como nós, uma PME, conseguimos fazer muito melhor que eles. Isto só é possível com o apoio da Universidade (nas competências) e do IAPMEI (nos apoios financeiros ao Investimento e Inovação) ”.

Da parte da Fibrenamics existe todo o interesse em continuar a desenvolver projetos deste calibre com empresas com o espírito inovador que caracteriza a Barcelcom. “É sempre muito gratificante o desenvolvimento de produtos junto do meio empresarial. Este projeto trouxe muitos conhecimentos técnico-científicos para o grupo, assim como o crescimento de trabalhos cada vez mais multidisciplinares e a elevada capacidade de transferência de tecnologias laboratoriais para ambientes industriais”, conclui Juliana Cruz.

Consórcio

Financiamento

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CIDESD | Centro de Investigação em Saúde, Desporto e Desenvolvimento Humano

O Centro de Investigação em Saúde, Desporto e Desenvolvimento Humano (CIDESD) é uma unidade de investigação científica e de desenvolvimento tecnológico acreditada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), criada em 2007 e organizada num consórcio de dez instituições de ensino superior de Portugal: o Instituto Politécnico de Bragança, a Escola de Ciências do Desporto de Rio Maior do Instituto Politécnico de Santarém, a Universidade da Beira Interior, o ISMAI, a Universidade da Madeira, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a Escola Superior de Educação do Politécnico de Viseu, a Universidade de Évora, o Instituto Politécnico de Viana do Castelo e o Instituto Politécnico da Guarda.

CIDESD, o “gerador de capacidade inovadora”

Os objetivos do CIDESD assentam em 3 grandes pilares: investigação científica e desenvolvimento tecnológico, intervenção comunitária e educação contínua. Neste sentido, segundo João Viana, um dos membros deste centro de investigação, “o CIDESD procura promover e divulgar a investigação e desenvolvimento científico no âmbito das Ciências do Desporto e da Saúde, proporcionar serviços de extensão à comunidade através do desenvolvimento de estratégias efetivas de intervenção e promover a educação contínua, pela integração dos membros do CIDESD em atividades de ensino e formação pós-graduada”.

O CIDESD tem levado a cabo uma série de projetos e atividades de investigação com enfoque em vários domínios como o estudo do trabalho colaborativo e criatividade no desporto, a análise de modelos genéticos, físicos, fisiológicos e biomecânicos da performance humana e a relação entre atividade física e o envelhecimento ativo. Em paralelo, o CIDESD desenvolve e promove estratégias de intervenção comunitária no apoio ao treino, na formação, no alto rendimento e desporto adaptado, na integração do desporto em contexto escolar, na intervenção desportiva em problemas sociais utilização, na atividade física e em programas desportivos relacionados com a promoção da saúde. “Os membros do CIDESD exercem atividade docente e de investigação em programas de licenciaturas, mestrados e doutoramentos, fomentando e divulgando conhecimento técnico-profissional associado à ciência e, por isso, capaz de ser gerador de capacidade inovadora”, refere João Viana.

“A Ciência e a Tecnologia estão a transformar o desporto”

Os atletas são cada vez mais fortes e rápidos, treinam e jogam em calendários congestionados e competições cada vez mais exigentes, e os recordes mundiais e olímpicos continuam a ser batidos. Esta evolução da performance desportiva assenta, em grande parte, segundo João Viana, “no contributo que as novas tecnologias têm prestado ao processo de treino, facilitando e otimizando o trabalho de treinadores e atletas”.

Existem, atualmente, diversos sistemas tecnológicos de captura de movimento e de feedback biométrico que ajudam a quantificar e qualificar perfis de carga externa e interna em desportos individuais e coletivos. Neste contexto, destaca-se a era da roupa tecnológica (wearables), baseada em utensílios tecnológicos que se colocam no corpo e que são capazes de fornecer dados biométricos para a monitorização em tempo real de perfis de carga durante a prática desportiva. “Toda esta informação tem como objetivo principal a otimização da saúde e rendimento do atleta, contribuindo decisivamente para a identificação e desenvolvimento de perfis de performance individuais e coletivos que servem como guia de referência nos processos de preparação e recuperação após a competição”, refere ainda o membro do CIDESD.

O estudo e desenvolvimento destas tecnologias tem um impacto significativo na performance desportiva, cabendo à investigação a responsabilidade futura de afinar os níveis de fiabilidade e acuidade dos dados obtidos. Neste sentido esta é a prova que, tal como João Viana afirma, “a Ciência e a Tecnologia estão a transformar o desporto”.

Uma sinergia em prol do conhecimento

“As instituições de investigação, inovação e desenvolvimento como a Fibrenamics e o CIDESD são o exemplo cabal da construção de pontes entre a ciência os desafios e os apelos das diferentes comunidades e dos mercados e produtos as elas associados e a capacidade da indústria como meio para os produzir”, defende João Viana.
A Fibrenamics e o CIDESD tornam-se, desta forma, agentes fundamentais no desenvolvimento do conhecimento e na divulgação de informação válida em torno de processos de avaliação, prescrição e monitorização do treino assentes no conhecimento científico. Pilares que são fundamentais na construção de indicadores de performance individuais e específicos de cada modalidade – critérios fundamentais na melhoria do processo de treino e performance desportiva.

O CIDESD e a Fibrenamics têm estabelecido sinergias na construção e validação de novos recursos tecnológicos, particularmente no desenvolvimento de equipamento desportivo multifuncional baseado em conhecimento técnico-científico avançado capaz de melhorar o desempenho desportivo.

“Apesar dos avanços técnicos e científicos dos últimos anos, constata-se que os produtos disponibilizados no mercado do vestuário tecnológico ainda apresentam lacunas que resultam, em parte, da deficiente integração do conhecimento proveniente da investigação na área das ciências do desporto e da atividade física”, salienta ainda João Viana.

Nesta ótica, a colaboração entre estas duas instituições pretende dar resposta à evidente necessidade de desenvolvimento de materiais tecnológicos suportados por conhecimento científico que valide a utilização do vestuário desportivo como instrumento fidedigno na monitorização do treino, prevenção de lesões, recuperação após o esforço e reabilitação de lesões.

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